É difícil terminar “O Dilema das Redes” sem sentir desesperança em relação ao espaço que a cultura criada pelas plataformas digitais ocupou nas nossas vidas, tanto como indivíduos quanto como sociedade. A sucessão de cenas e depoimentos apocalípticos do documentário monta um quadro melancólico de ser contemplado, cujos elementos não são exatamente novos mas, ao serem associados a algo tão presente nas nossas vidas –as redes sociais–, deixam uma sensação de impotência e angústia quando sobem os créditos finais.

Na era do uso massivo das redes sociais e de aplicativos de comunicação que facilitam espalhar informações a centenas de usuários com apenas um dedo na tela ou clique no mouse, nada tem se espalhado mais rápido do que as notícias falsas.

Como combater fake news? A União Europeia articulou uma equipe de pesquisadores com a finalidade de combater a disseminação crescente de notícias fraudulentas nos pleitos eleitorais. O chamado Grupo de Peritos de Alto Nível sobre Notícias Falsas e Desinformação apresentou em 2018 um relatório com recomendações para o combate aos conteúdos falsos baseado em seis pilares: (1) mais transparência por parte dos portais e provedores; (2) alfabetização midiática e informacional; (3) desenvolvimento de ferramentas para capacitar usurários e jornalistas a combater a desinformação; (4) promoção do uso positivo de tecnologias de informação de rápida evolução; (5) proteção da diversidade e da sustentabilidade do ecossistema dos meios de comunicação; (6) promoção de pesquisas acadêmicas sobre a desinformação. Chama a atenção o ponto número dois sobre a alfabetização midiática e informacional, já que em regimes democráticos o cidadão é a fonte e o destinatário do poder. Ou seja, a estratégia decisiva no combate à desinformação é educativa.

Capacitar os jovens para o uso crítico novas tecnologias e para a produção de conteúdo é um caminho necessário ao fortalecimento do uso livre e democrático da mídia. A avaliação foi feita nesta segunda-feira (7) pelo jamaicano Alton Grizzle, da Divisão de Liberdade de Expressão e de Desenvolvimento da Mídia da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), durante seminário promovido pelo Conselho de Comunicação do Congresso.